
Amo-te mas não sei quem és nem de onde és, nem para onde foste nem com quem foste. Deixo que a chuva se faça ouvir neste silêncio que perturba cada centímetro do meu ser, tlin tlin tlin, silêncio suporta-se e o tlintar também. És mais injusta que o tempo, e o tempo é quem nos faz esperar é quem nos surpreende, serás tu pior que o tempo? Às vezes ainda me perco dentro de mim mesma com o mero intuito de te reencontrar. Já não te anseio nos meus dias, nem te desejo nas vírgulas dos próximos momentos. Não passa tudo de um velho hábito desenrolado por mim cuidadosamente para que não possa vir a tornar-me em chaga viva. Na verdade estas palavras um dia chegar-se-ão a esgotar. Como quem monta com um lego uma casa, mete família, e tu já há muito que não fazes parte dela. Acho que hoje apenas vivemos lado a lado na boca do mundo mesmo sabendo que um dia até elas se vão calar. Queres continuar a achar que estou aí na palma da mão até quando? Talvez no fundo apenas te estejas a enganar a ti mesma, porque eu já não te sirvo de engodo para levantar o ego ou empatar o tédio.
Nenhum comentário:
Postar um comentário