terça-feira, 4 de janeiro de 2011

peça


Fico parva. Fico ridícula. Fico de queixo caído. Fico mais presa. Tudo me prende, nada de afasta. Eu fico aqui. Não arredo pé que afinco. Há coisas tão estranhas. O mundo é tão estranho. O amor é tão estranho, o que sinto é tão estranho. Ok, eu sou estranha. Na verdade há problemas piores. Eu vivo tão bem. Num puzzle de 2900 peças, só me falta uma. A mais bonita, a mais importante, a que encaixa de todas as formas a fundamental. Não é só uma simples peça. Não há mais peças destas. Não há nada semelhante a isto nem no mercado chinês. Já parei tantas vezes a pensar que um dia há-de ser tudo diferente. Há-de ser tudo mais fácil. Menos doloroso. Deixo-me de lamentações, não tenho razões para isso. Apetece-me abrir a janela e sentir a brisa que me vai deslizar pela camisa e sentir o vento me acalmar, me acariciar o rosto, de uma forma que só ele sabe, que só ele consegue; não me deixes pendurada nesta janela á espera que um dia algum passarinho me traga a peça que me falta, vento oh vento dá me maneiras de luta, dá me garras. Diz me que parar é morrer, diz me que sem luta não se vence, diz me que sentada vejo a vida passar-me ao lado. Não digas, é melhor. Faz-me só ser mulher, á tua maneira. A mais doce maneira. Faz-me delirar com a tua brisa que me vai arrepiando cada centímetro do meu corpo, cada parte do meu ser, faz me arrefecer. Faz me enlouquecer. Deixa-me atingir o auge de tudo, deixa-me fazer tudo como eu quero, como o meu coração me manda, deixa-me agir por amor, a primeira vez. O amor não é isto, ninguém disse isso, nem ninguém diz nada, acerca do amor não há muito para dizer, sente-se e cala-se. Quem cala consente. Aguardo o dia que passar o passarinho á minha janela com a peça que me falta, aguardo-te hoje e sempre. É tudo obvio amo-te até uns dias mais que outros ‘minha peça’. Sabias que amamos mais as pessoas em certos dias? Não era o aspecto dos teus cabelos quando o sol te o pintava, ou a sensação das tuas, mãos nas minhas, querendo que se movessem de uma certa maneira, não, foi porque naquele dia, pelo menos não desistis-te. Na verdade se fosse eu a sair da vida dela teria invadido os meus pensamentos durante os meses seguintes, como uma distracção, como um refrão incessante, como tu? Assim, mesmo que te afastes do puzzle onde te aninhas se esse continuar a pensar que lhe pertences, pertencer-lhe-ás para sempre. Termino assim, então.

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